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Rede hospitalar global deixa de realizar procedimentos trans em menores após acordo nos EUA

  • 13-06-2026 07:14

  • Rede hospitalar global deixa de realizar procedimentos trans em menores após acordo nos EUA

    A Cleveland Clinic, uma das mais renomadas redes hospitalares do mundo, anunciou que deixará de oferecer procedimentos de transição de gênero para menores de idade após firmar um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) e com a Procuradoria-Geral de Ohio.

    Com sede em Ohio, a instituição possui atuação internacional, incluindo unidades no Reino Unido, Canadá e nos Emirados Árabes Unidos, onde mantém o Cleveland Clinic Abu Dhabi, considerado um dos maiores hospitais da rede fora do território americano.

    Pelo acordo, a organização interromperá esses procedimentos em menores pelos próximos 20 anos.

    Em comunicado divulgado pelo DOJ, o governo federal afirmou que a resolução segue um acordo semelhante firmado recentemente com o Texas Children's Hospital, que também encerrou procedimentos de transição em menores.

    “O Departamento de Justiça está firmemente comprometido em proteger as crianças da América”, afirmou o procurador-geral adjunto Stanley Woodward.

    “Assim como o acordo firmado com o Texas Children’s Hospital, o acordo de hoje com a Cleveland Clinic reforça esse compromisso e serve de alerta a esses prestadores de serviços de saúde de que este Departamento aplicará rigorosamente a lei federal sempre que crianças forem colocadas em risco.”

    Menores de 18 anos

    A medida inclui a suspensão da prescrição de bloqueadores da puberdade, hormônios do sexo oposto e cirurgias relacionadas à transição de gênero em pacientes menores de 18 anos pelos próximos 20 anos.

    Segundo o Departamento de Justiça, o acordo faz parte de uma investigação nacional sobre possíveis violações de leis federais relacionadas aos chamados procedimentos de “afirmação de gênero” em menores.

    Além de interromper esses atendimentos, a Cleveland Clinic concordou em destinar US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,4 milhões) para cuidados de pessoas que desejam reverter processos de transição de gênero e pagar US$ 308 mil (aproximadamente R$ 1,6 milhão) para encerrar alegações relacionadas a cobranças de seguros de saúde.

    ‘Impactos na saúde’

    O Dr.

    Kurt Miceli, diretor médico da organização Do No Harm, que atua no combate ao que considera ser a ideologia de gênero direcionada a jovens, afirmou à CBN News que o acordo representa uma “vitória histórica”.

    “As evidências simplesmente não existem em termos de transição médica pediátrica”, disse ele.

    “Há pouquíssimas evidências de qualquer benefício, e há danos significativos, riscos significativos.

    Isso inclui infertilidade, efeitos cardiovasculares, impactos na saúde óssea e, certamente, as cirurgias.”

    Acusação de fraude

    O Dr.

    Ethan Haim, que denunciou irregularidades no Texas Children’s Hospital enquanto atuava como cirurgião na instituição, relatou ao mesmo veículo como o esquema funcionava.

    “As seguradoras ainda podem se recusar a pagar por hormônios, bloqueadores e cirurgias em certas pessoas, em certos adultos e crianças”, disse ele.

    “Então, é mais fácil para os médicos simplesmente faturarem fraudulentamente, como um distúrbio endócrino para hormônios, dor pélvica para histerectomia.

    Analisei registros de Nova York onde uma jovem fez uma mastectomia dupla, e o código era hipertrofia mamária.”

    A hipertrofia mamária é uma condição rara caracterizada pelo crescimento excessivo das mamas, que se tornam pesadas e podem provocar dor intensa.

    Especialistas afirmam que, além das alegações de fraude na cobrança, a maior injustiça foi o que ocorreu com as crianças.

    “Precisamos ser honestos sobre o que estamos fazendo como profissionais de saúde, mas, mais importante ainda, precisamos parar de realizar esses procedimentos em crianças”, afirmou o Dr.

    Miceli.

    “Essas crianças são vulneráveis.

    Estão passando por momentos de confusão de gênero e não devemos medicalizá‑las.

    Devemos ajudá‑las a compreender o que está acontecendo para que possam superar esses períodos difíceis.”

    Proteger crianças

    O Departamento de Justiça classificou a medida como parte de seus esforços para proteger crianças de intervenções médicas consideradas irreversíveis.

    A Cleveland Clinic, por sua vez, declarou que as alegações envolvendo cobranças de seguros se referem a um “problema de codificação não intencional” envolvendo um número limitado de pacientes.

    A instituição não admitiu irregularidades, mas aceitou os termos do acordo.

    De acordo com o DOJ, a suspensão dos procedimentos valerá para todas as unidades da Cleveland Clinic, incluindo centros médicos localizados nos EUA e em todos os países onde a organização atua.

    A decisão ocorre em meio ao aumento da pressão do governo Trump sobre hospitais e clínicas que realizam procedimentos de transição de gênero em menores.

    Vulneráveis

    Nos últimos meses, o Departamento de Justiça intensificou investigações, acordos judiciais e solicitações de documentos relacionados a esse tipo de tratamento em mais de 20 hospitais infantis em todo o país.

    A então procuradora‑geral Pam Bondi prometeu “responsabilizar aqueles que se aproveitam de crianças vulneráveis e de seus pais”.

    Pais de crianças transgênero entraram na Justiça para anular as intimações, alegando que o Departamento de Justiça violou a privacidade das famílias e desrespeitou proteções constitucionais contra buscas e apreensões ilegais.

    Alguns juízes aceitaram os argumentos dos pais e suspenderam as intimações.

    O governo Trump disse que vai recorrer.

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    Fonte: Guiame